segunda-feira, 9 de abril de 2012

Comportamento: A Fila tem que Rodar!!!

Armário abarrotado? Troque roupas com as
amigas e abarrote o armário de coisas novas!!

                      Guarda-roupa de mulher é como time europeu de primeira linha: tem elementos excelentes que nunca saem do banco de reservas. O excesso de peças que não entram em campo é fruto de uma conhecida combinação de razões. Número 1, o excessivo apego a roupas que têm valor "sentimental", estão novas em folha e algum dia hão de voltar à moda. Número 2, os abusos cometidos em liquidações, incluindo a aquisição de calças que vão fechar assim que aquele regime podar alguns quilinhos e sapatos vermelho-bombeiro salto 15. Na era da abundância, dos armários abarrotados, do hábito de adquirir uma mala nova ao fim de cada viagem (para acomodar as comprinhas, claro), da mulher que, segundo uma pesquisa inglesa, acumula uma média de 111 bolsas ao longo da vida, ter e não usar implode espaços preciosos e incomoda a consciência. Mas a mesma sociedade que produz excessos encontra soluções. A última, nesse campo, é a troca de roupas entre amigas: cada uma chega com o que não quer mais e vai embora com o que imagina ser necessário.
                      A produtora paulistana Julia Nogueira, 27 anos, reúne-se uma vez a cada seis meses com um punhado de amigas para o ritual. "Ficamos a tarde toda experimentando coisas e conversando. Uma vez chamamos até um cabeleireiro, para fazer cabelo e maquiagem enquanto provávamos as peças", diz Julia, que no mês passado organizou uma troca – clothing swap, no jargão do meio – no quintal de sua casa em São Paulo, com comidinhas, música e tarô. Cada convidada levou uma sacola de roupas – ou mala, no caso da gerente de marca Camila Kishimoto, 27. "Por trabalhar em loja, eu compro e ganho muita roupa. Estava na hora de me livrar de algumas", diz Camila, que fez sucesso por contribuir com peças de marcas famosas, algumas ainda com etiqueta de preço. A artista plástica Luisa Furman, 28, adepta do coturno e do preto, livrou-se de peças nada básicas: um microvestido de onça, outro de rendinha rosa e um top de lastex colorido que nunca havia usado na vida. "Comprei tudo no mesmo bazar. Estava tão barato", suspira. Fora do Brasil, as clothing swaps, prática nascida nos Estados Unidos que tomou conta da Europa e do Japão, chegam a reunir centenas de pessoas em galpões industriais.                        Uma equipe separa as peças em caixas (calças ali, blusas aqui), para facilitar o processo. Tudo é de graça; o que sobra vai para instituições de caridade. "Fico feliz de ver que as pessoas estão menos apegadas às suas coisas", teoriza Emily Tremayne, 39 anos, fundadora da concorridíssima Swap-O-Rama-Rama, festa de troca-troca promovida em diversas cidades americanas. Emily diz que não ganha nada com isso, embora às vezes cobre ingresso para cobrir despesas. "Antes das clothing swaps eu comprava roupa como todo mundo. Hoje, só gasto com meia e calcinha", brinca.

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